29
Jul

(em parceria com a Ahptus – http://www.ahptus.com/)

Se ao ler o título do artigo ficou assustado com o desfecho da história que embalou muitos de nós, pode descansar as suas memórias da infância… Não é essa a minha pretensão… Mas a verdade é que algo semelhante poderia ter acontecido…

Felizmente que a Alice fez a escolha certa… ou não… e esse é o tema… Escolhas…

Na verdade, as escolhas são a coisa mais difícil da vida. Mas também é verdade que assumem esse papel no quotidiano de cada um de nós porque… assim o escolhemos! Uma vez mais, as escolhas…

A grande maioria das pessoas vive obcecada com as suas escolhas. Ou melhor, vive obcecada com a consequência das suas escolhas. Se já nascemos assim?! Obviamente que não… Vamos sendo educados dessa forma… Como se cada escolha errada (se é que isso existe…), deixasse uma marca para toda a vida… Se essa escolha é errada (partindo do princípio que existem escolhas erradas…) certamente que também elas terão algo de positivo. Por uma questão de empatia literária, vamos também questionar o que é isso de trazer algo de positivo… Permitam-me escolher não escrever acerca disso… Afinal de contas, essa é uma escolha que cada um de nós sabe fazer…

A nossa Alice (permitam-me a familiaridade mas ela faz parte da vida de todos nós), também teve de escolher… Certamente todos estarão recordados do episódio, em que perdida no País das Maravilhas, Alice pergunta ao gato qual o melhor caminho. O gato questiona Alice de qual o seu destino. Alice responde: “Qualquer lado” ao que o gato responde prontamente: “Então qualquer caminho é bom”.

Se não souber que rumo tomar, é natural que se vá perder…

Curiosamente o mesmo acontece nas nossas vidas. Se não soubermos qual o caminho que queremos seguir, qualquer um cumprirá o seu propósito. Muitos estarão neste momento a questionar-se: “E qual é o problema de não ter um caminho definido”? Eu respondo… Nenhum… desde que essa seja uma escolha consciente. E assuma perante todos que fez uma escolha consciente de não ter objectivos… pessoais… profissionais…

Mas se decidiu colocar nas mãos de outros a missão de cumprir os seus objectivos… Esta pode ser a altura certa para puxar esse tema para o seu consciente… Se essa for a sua escolha… Se decidiu dar esse passo e fazer a escolha de conscientemente escolher acerca das suas escolhas, podemos avançar… Confusos com as escolhas!? Provavelmente será só uma questão linguística… ou de consequências das próprias escolhas…

Para escolher chegar ao destino, primeiro temos de conhecer o caminho que vamos seguir e saber que recursos usar para atingir essa meta. Aparentemente, gatos não são grande ajuda… Devemos escolher escrever os objectivos pessoais e profissionais para os próximos tempos e estabelecer datas concretas para a sua realização. Só assim saberemos se estamos no caminho certo e se não seremos interpelados por um qualquer gato de olhar meigo que facilmente no faça desviar… A maioria das pessoas faz a sua vida ao sabor do vento, sem planos predefinidos, desresponsabilizando-se pelo seu percurso.

Olhando desta forma, a Alice não parece uma menina muito responsável…

A noção de objectivo é, hoje em dia, tão decisiva que todas as nossas acções são guiadas pelas metas que fixamos para nós próprios. Dentro das organizações, cada vez mais nos é exigido que pensemos em termos de objectivos e que orientemos as nossas condutas para a obtenção de resultados, dentro de prazos previamente estabelecidos.

Se pensarmos nas organizações nas quais estamos inseridos, em praticamente todas elas, esta é a prática que vigora. Objectivos bem definidos, limitados no tempo, que não possam ser questionados por nada nem por ninguém e constantemente repetidos… Demasiadas vezes, pensarão alguns… E com a particularidade de estarem escritos e visíveis para todos os elementos da organização… Pelo menos assim deveria ser… Ou deveria ser uma escolha dos seus elementos?

Se, de uma forma geral, funciona com as empresas, porque não replicar o modelo para as nossas próprias vidas?! Se por um lado faz sentido assumir um forte compromisso com uma das pessoas mais importantes da minha vida (sim… eu mesmo), por outro lado, também é legítimo ter receio de fazer uma escolha… De fazer a escolha de atingir um ou vários objectivos. Ou será que temos receio das consequências que possam advir de uma escolha? Curiosamente, o facto de não escolher, já é em si mesmo uma escolha… Alguns chamar-lhe-ão medo, outros indecisão… Uma vez mais, uma questão linguística… será?

Este exercício que nos é requerido constitui um desafio constante, obrigando-nos permanentemente a:
• Orientar o raciocínio e a acção para o futuro
• Definir exactamente para onde queremos ir
• Estabelecer prioridades

Será que a Alice fez este exercício? Será que nós fazemos este exercício?

Muitas pessoas confundem sonhos com objectivos… Existe uma relação… Quanto mais sonho, menos são os objectivos que atinjo… Sim… Mas essa pode ser uma escolha… Escolher sonhar… E todos sabemos que objectivos sem acção são sonhos…

Perdoem-me o sorriso mas consigo desde já imaginar uma reunião de Conselho de Administração para definição dos sonhos do primeiro trimestre do ano que se avizinha…

Ainda mais se o CEO da nossa organização nos colocar algumas questões:
• Para onde queremos ir?
• O que queremos realizar? O que devemos evitar?
• Qual é o resultado final que queremos alcançar?
• Em que prazo pretendemos atingi-lo?
• Que condições temos que respeitar?
• De que apoios necessitamos?

Acredito que as respostas possam ser muito criativas quando tem por unidade de medida o sonho…

E se a Alice fosse CEO de uma empresa?

Provavelmente falharia muito, tendo por base os actuais padrões do mundo empresarial… Será que isso a tornaria uma melhor CEO? Uma pessoa melhor? A acreditar em Samuel Beckett, isso seria possível… “Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor.”

Melhor… E é nesta simples palavra que muitos ficam ancorados… Ser o melhor… Devemos alocar os nossos esforços para ser MELHOR a cada dia, porém não O MELHOR. Esta avaliação cabe somente aos outros. A imagem de “o melhor” sofre muitas contestações e é permanentemente questionada. E nem sempre nos é dada a escolha…

As pessoas inserem-se em uma de duas categorias: as que avançam e fazem alguma coisa e as que ficam paradas a perguntar porque não se fez de outra maneira. E essa é uma escolha que cada um de nós terá de fazer…

Paulo Ferreira
Speaker | Formador | Consultor

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