05
Ago

O estudo de um mercado permite-nos conhecer as ideias e o pensamento dos nossos possíveis clientes. Em Portugal, tenho encontrado gestores de empresas, nomeadamente exportadoras, que produzem para fornecer grandes marcas de outros países, que dizem não precisar de comunicação (comunicação “business to business” ou comunicação industrial) porque os seus clientes “são certinhos a comprar”. É uma ideia completamente errada, como vou tentar explicar em 13 pontos.

1) Seja em negócios locais, nacionais ou multinacionais, seja em empresas que trabalham para outras empresas ou diretamente para o consumidor final, a comunicação é um instrumento de gestão cada vez mais importante e decisivo.

2) Os efeitos da comunicação são internos e externos. Internamente, a comunicação atua como um dos pilares do funcionamento da organização empresarial e de motivação coletiva. No plano externo, é um elemento decisivo no processo de vendas, ao dar a conhecer ao mercado marcas, produtos e serviços, e as suas vantagens competitivas e diferenciadoras.

3) Internamente, a comunicação propaga a cultura da empresa, a sua visão e a sua missão junto de todos os colaboradores. Externamente, a comunicação define o posicionamento de uma marca no mercado e determina a percepção dos públicos, atuando junto dos potenciais consumidores como agente impulsionador e facilitador dos processos de decisão de compra.

4) A comunicação de uma empresa é um processo em construção permanente, que tem como missão conquistar notoriedade no mercado, assim como, conquistar o coração dos “stakeholders”, ou seja, os parceiros estratégicos, que são todos aqueles que fazem parte do processo: colaboradores, clientes, fornecedores, distribuidores, imprensa, sócios/acionistas, associações e lideranças do setor, etc.

5) A comunicação cria uma reputação positiva da administração e da fábrica em geral junto da comunidade envolvente e das organizações públicas e privadas com quem a empresa precisa contactar.

6) Os clientes internacionais, antes de decidirem fazer uma compra, procuram informação sobre a empresa nas redes sociais. Se essa informação não existe, a empresa não inspira confiança. Antes da decisão de compra, os compradores internacionais procuram saber qual é a reputação local do seu futuro fornecedor, assim como as notícias que há na imprensa sobre a empresa. Se essas informações forem positivas, a empresa ganha vantagem competitiva na negociação.

7) A comunicação aumenta a auto-estima dos funcionários, favorece o aumento do seu rendimento e da sua disponibilidade para engrandecer a empresa, e faz atrair os funcionários mais qualificados. Se uma empresa é bem falada no espaço público mediático (imprensa e Internet) qualquer funcionário tem prazer em dizer que trabalha lá.

8) Uma empresa com reputação positiva tem muito mais facilidade de lançar uma marca com sucesso, porque já tem parte do caminho feito nos meios de comunicação, pois os seus canais de comunicação já estão abertos.

9) Para uma empresa industrial, possuir uma comunicação regular e planeada significa ter uma voz no mercado, que representa uma vantagem competitiva, nomeadamente em situações de crise.

10) Uma empresa com reputação positiva encontra um “feedback” muito mais positivo junto dos agentes com quem pode precisar de contactar, nomeadamente, junto de organismos públicos ou privados. Ao mesmo tempo, ganha peso negocial na aquisição de serviços a fornecedores. Porque todos gostam de ter como clientes empresas que são prestigiadas e conhecidas publicamente.

11) Os compradores decidem com base na racionalidade. Para isso, exigem conteúdos para decidirem as suas compras. Eles estão continuamente à procura de informação útil e relevante para usar no seu negócio como justificação para as suas decisões, tornando-se importante que as empresas fornecedoras transmitam a informação certa, com toda a transparência – uma palavra cada vez mais em voga nas empresas contemporâneas.

12) Investir na produção de informação própria, para comunicar nas redes sociais, é fundamental e inadiável, mas as empresas não podem cair na tentação de trocar tudo pela comunicação na Internet. O jornal impresso e as revistas especializadas continuam a ser meios de comunicação muito importantes para credibilizar empresas, marcas, produtos e serviços.

13) A opinião dos jornalistas conta muito, pois são eles que continuam a hierarquizar a informação que é publicada nos meios de comunicação impressos e digitais. Por isso, é preciso comunicar com eles. Aparecer nos meios de comunicação social continua a ter um peso muito grande no reconhecimento público das empresas. Por isso, uma comunicação eficaz e frequente com os jornalistas é um trabalho imprescindível. Mas é preciso saber entregar-lhes informação de qualidade, que seja uma mais-valia para os seus meios de comunicação.

 

 

Luís Paulo Rodrigues

Consultor de comunicação e especialista em estratégias de comunicação empresarial

Texto original publicado no blog COMUNICAÇÃO INTEGRADA no link: http://goo.gl/iAJQMq

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