Estávamos em meados dos anos 90, a meio de uma tarde solarenga de Maio. Ía eu à pastelaria do prédio onde se situavam os nossos escritórios e o senhor Oliveira, um dos comerciantes de pronto a vestir de Famalicão, fumava um cigarro na praça em frente da sua loja à espera do seu próximo cliente.
Entabulamos uma conversa do circunstância como era costume. Apesar da grande diferença de idades tinhamo-nos tornado amigos, confidentes até.
E de repente, sai da sua boca a seguinte afirmação: “…um comerciante tem que ter arte e artigo.”
Ficou assim resumido e bem impresso na minha mente de candidato a consultor, um grande princípio de gestão. Ainda não encontrei até hoje, e já se passou mais de uma década, nenhuma evidência que refute, ou sequer belisque, esta premissa básica dos negócios.
De facto assim é: o comerciante, o industrial, o prestador de serviços, o agricultor, todo o empresário tem de ter alguma coisa para vender (“o artigo”), mas também tem de ter a “arte” de o saber vender. Tem de ter a capacidade para adicionar valor aquilo que compra, de forma a que o preço da venda possa ser superior ao preço da compra somado de todos os custos unitários da sua estrutura produtiva e comercial.
O lucro gerado na actividade económica do empresário terá de ser suficiente também para renovar a sua estrutura produtiva e comercial e para satisfazer as suas necessidades e os seus sonhos enquanto empresário e pessoa humana. Ou não sejam estas as molas que impulsionam o mundo.
Para se ser empresário, de facto é preciso ter a Arte e o Artigo.
Miguel Matos
CEO APAMM
